
No âmbito da disciplina de comunicação digital, visionámos em aula o filme Final Cut – A Última Memória – que aborda a questão do impacto das novas tecnologias na nossa vida, contando a história de uma sociedade onde as pessoas têm a possibilidade de fazer um implante cerebral que grava todas as memórias da sua vida.
As novas tecnologias têm sido encaradas com muita desconfiança e muita resistência à medida que vão surgindo. O ser humano resiste à mudança, é um facto. E as razões são várias, sendo a principal, a falta de conhecimento e informação. Isto porque sabemos, através de casos recentes, que a tecnologia vai, inevitavelmente, alterar as nossas vivências sociais.
As novas tecnologias, obra de equipes científicas e génios inventores, são criadas para satisfazer as necessidades do ser humano.
Desde a roda, inventada para facilitar o transporte de objectos, ao telemóvel, inventado para facilitar a comunicação entre as pessoas, todas estas tecnologias mudaram a nossa forma de viver.
Imaginemo-nos hoje em dia, sem um telemóvel. “Impossível” dirá a maioria das pessoas. E a verdade é que não conseguimos, tal foi a forma como o telemóvel se incorporou nas nossas vidas, influenciando o modo como comunicamos entre nós.
O filme “The Final Cut” sugere isso mesmo, mas em relação a um dispositivo de gravação de memórias. É nos impossível prever qual o impacto que, uma tecnologia desse género teria na nossa sociedade, ao nível das relações pessoais, por exemplo, como o próprio filme sugere.
No filme somos confrontados com dois conceitos que podem ser alvo de discussão no que diz respeito a questões de ordem ética: a memória e a privacidade.
Estes dois conceitos têm sofrido uma evolução ao longo do tempo, e, essa evolução, deve-se principalmente às diversas invenções que têm alterado a sociedade em que habitamos. Por exemplo, no caso da memória, há 2 séculos atrás, antes da existência do rádio ou da televisão, a memória cingia-se às nossas vivências e ao que possivelmente leríamos num jornal. Hoje em dia, lembramo-nos das coisas que ouvimos e vemos na radio e televisão, “conhecemos” coisas e pessoas através dos média, sem nunca estarmos, fisicamente junto a elas. As nossas memórias dessas coisas ou pessoas, é definida pelo que os média nos mostram dessas coisas ou pessoas. O mesmo acontece com a privacidade, que foi em tempos um aspecto meramente pessoal e que não tinha as conotações de, por exemplo, protecção de dados e informações, como acontece, hoje em dia, na Internet em sites onde colocamos o nosso nome, morada e em alguns casos número de cartão de credito. Estes dados são a “privacidade” dos nossos dias.
No filme, estes conceitos são amplamente arrasados, porque a existência de um aparelho que guarda todas as nossas memórias, significaria que a memória deixaria de ser aquilo de que recordamos de alguém, mas sim o que uma selecção audiovisual, de alguns momentos da vida dessa pessoa, nos relata. No que diz respeito à privacidade, esta seria completamente violada, quando um editor, como acontece no filme, revisse todas as nossas memórias.
Apesar de todas as questões éticas por detrás desta inovação, constata-se inevitavelmente que estes dois conceitos estão em constante mutação e que sofrem influências de diversa ordem, especialmente por parte dos média.
Existe também a problemática da exclusão e inclusão social devido às tecnologias.
A tecnologia pode ser uma forma de incluir ou excluir pessoas numa comunidade ou grupo social. O filme aborda esse tema quando o personagem principal, um editor, interpretado por Robin Williams, pensa que os pais não teriam dinheiro para lhe colocar um "implante de memória". Quer isto dizer que só alguns privilegiados teriam acesso a estas tecnologias, por poderem pagá-las. As novas tecnologias funcionam assim, também como uma moda, como uma peça de vestuário que temos de ter para fazer parte de um grupo.
Se olharmos a realidade deste prisma, a tecnologia contribui para a exclusão social dos mais pobres, dos mais desfavorecidos, e para a inclusão social dos mais ricos e favorecidos.
Algo que pode ser reprovável, em termos éticos, uma vez que não permite a igualdade de direitos e oportunidades. Esta situação não é no entanto nova, uma vez que esta desigualdade sempre existiu nos nossos dias.
Mais informação sobre o filme:
The Final Cut (2004) - ImdbVasco Cotovio